Com passagens por diversos clubes e divisões do Brasil, Juliano Camargo vive sua primeira experiência no exterior. O dirigente brasileiro, de 50 anos, é o executivo de futebol do Real Murcia, da Espanha, que disputa a terceira divisão nacional.
Juliano Camargo foi contratado pelo clube espanhol em dezembro do ano passado. Em entrevista exclusiva ao 365Scores, o dirigente comentou sobre a adaptação ao mercado europeu.
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“Esse primeiro período, para mim, foi mais de adaptação realmente, conhecimento de mercado, porque eu não tinha esse conhecimento todo. Na verdade, eu pensava que eu tinha um conhecimento, e com certeza não conhecia nada. Eu ainda estou aprendendo muitas coisas, mas o jogo é muito diferente.”
Fundado em 1908, o Real Murcia busca o acesso à segunda divisão espanhola após a queda em 2014 por dívidas financeiras. O clube passa por uma reformulação sob a gestão do dono Felipe Moreno, que assumiu em 2023.
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Uma das peças da reformulação do Real Murcia, Juliano Camargo aproveitou as férias no Brasil para visitar o São Paulo e o Atlético-MG. Ele teve uma troca com Rafinha e Paulo Bracks, diretores dos respectivos clubes.
“O Bracks (diretor do Atlético-MG) é um cara sensacional, abriu as portas do clube, mostrou os processos dia a dia, como o Atlético está pensando. Gostei de ver a cabeça do Rafinha (diretor do São Paulo) em saber que tem que buscar muitas coisas ainda, e eu tenho certeza que ele vai acrescentar muito.”
Veja outras respostas do dirigente Juliano Camargo:
Oportunidade de ir para o Real Murcia
“Já era um sonho meu (vir para a Europa). Estava há 20 anos no futebol brasileiro e queria ter essa oportunidade de trabalhar num clube fora do Brasil. Eu conheço o Felipe Moreno, que é o dono do Real Murcia hoje, e era dono do Leganés.
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A gente já tinha um contato, ele já tinha ido no Brasil algumas vezes. Eu vim aqui na Espanha visitar o Leganés na época e aí cada vez mais se estreitou esse contato. Quando eu saí do Criciúma, no começo de março de 2025, ele me fez um convite para vir aqui ao clube, conhecer as estruturas, pediu para que eu fizesse um relatório e aí eu acabei vindo, fiquei muito contente com aquilo que eu vi.
A gente sentou e desenhou uma possível vinda, mas o clube estava nos playoffs de acesso, e acabou a competição, a gente evoluiu e acabou que me contratou no final do ano.”
Adaptação ao futebol espanhol
“Tem muitas coisas diferentes do nosso dia a dia. As dificuldades da língua também. A cultura deles é diferente. A gente precisa de tempo, e eu também aprendi isso, que o jogador também precisa desse tempo de adaptação, então foi bom para mim que contrato jogadores. Às vezes, a gente quer um resultado imediato, mas também tem uma dificuldade. De cara, já é uma lição que eu aprendi.
Esse primeiro período, para mim, foi mais de adaptação realmente, conhecimento de mercado, porque eu não tinha esse conhecimento todo. Na verdade, eu pensava que eu tinha um conhecimento, e com certeza não conhecia nada. Eu ainda estou aprendendo muitas coisas, mas o jogo é muito diferente.
O jogo aqui é muito mais rápido, mais de contato, e tem qualidade também. É uma surpresa muito grande o nível técnico dessa competição, apesar de ser a terceira divisão da Espanha. Muitos jogadores de qualidade, equipes grandes, com o time B, por exemplo, o Real Madrid, o Atlético de Madrid, o Sevilla…”
Diferenças para o futebol brasileiro
“Eu sou um privilegiado porque trabalhei nas quatro divisões nacionais do Brasil, Série D, C, B e A, também na quarta, na segunda e na primeira do Paulista. Eu tenho bastantes experiências. Esse negócio de rotular jogador de tal divisão, que da Série D não pode jogar a Série A, isso é uma mentira.
Eu acho muito mais fácil o jogador europeu, o espanhol, fazer o inverso e ir para o Brasil. São jogadores muito inteligentes, fisicamente eles são fora da curva, com um cognitivo muito alto. Tenho certeza absoluta que jogadores aqui do meu clube têm condições de jogar Série A no Brasil. Os jogadores se adaptam à divisão, a outros países, ligas, com o tempo, o planejamento, você consegue tirar o melhor deles.”
Contratações de brasileiros para o Real Murcia
“Em janeiro, a gente trouxe dois brasileiros para cá. A nossa ideia é trazer jogadores sub-23, porque o time A funciona assim: 18 vagas sênior (jogadores acima de 23 anos) e sete vagas sub-23. A gente utiliza 22 jogadores, 18 sêniores e mais quatro jogadores sub-23. E todos os jogadores do time B estão à disposição para utilizar no time A. Então, por isso que eu não preciso de tantos jogadores.
Como eu falei no início, precisa de adaptação. Eu trouxe um jogador (Vitor Costa) que jogou comigo na Série B, jovem de 20 anos, com passagem na seleção brasileira sub-20. Mesmo assim, teve que ter um tempo de adaptação. Ele teve dificuldades para jogar no meu time B no início, aí se adaptou e foi fundamental no acesso do time B.”
Dirigentes portugueses no Brasil (Boto no Flamengo e Admar Lopes no Vasco)
“Buscar conhecimento é a única ferramenta que vai nos proporcionar a estar em bons clubes. Como você disse, o mercado de treinador está assim (brasileiros perdendo espaço). Mas eu acho que é uma fase… Acho que a gente tem grandes profissionais, grandes treinadores brasileiros, grandes executivos brasileiros.
Mas quem sou eu para falar alguma coisa? Eu estou fora hoje. Então, não seria justo. Se eu estou aqui na Espanha, por que eu vou dizer que o Brasil não pode receber profissionais de outros países? O bom profissional não tem a nacionalidade. Não tenho muita preocupação com isso, mas não pode se rotular, que o estrangeiro é melhor do que o brasileiro.”
Visitas ao Atlético-MG e ao São Paulo
“O Bracks (diretor do Atlético-MG) é um cara sensacional, abriu as portas do clube, mostrou os processos dia a dia, como o Atlético está pensando. Eles têm um projeto interno até 2030, que é muito legal. Eles gostam muito de processos, eu gosto disso. Fiquei encantado com o projeto deles.
O Rafinha (diretor do São Paulo) transitou agora, parou de jogar há pouco tempo, estava numa função e agora assumiu como executivo no São Paulo. Eu sempre procuro aprender, bater papo, ter troca, que eu acho que é o mais interessante. Gostei de ver a cabeça, a humildade, do Rafinha em saber que tem que buscar muitas coisas ainda, e eu tenho certeza que ele vai acrescentar muito.”
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