A Copa do Mundo de 2026 está em andamento, mas uma das camisas mais pesadas e tradicionais do futebol mundial é, mais uma vez, apenas uma espectadora. Tetracampeã mundial, a seleção da Itália não conseguiu se classificar para o torneio.
Está é terceira ausência consecutiva (2018, 2022 e 2026) da Azzurra — um recorde negativo inédito para seleções que já ergueram a taça. A última participação da Itália em Copas foi em 2014, e o último título em 2006.
A ausência dos italianos do Mundial deste ano não foi fruto de um único erro, mas sim de uma campanha de eliminatórias que culminou em um roteiro dramático.
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Fase de grupos: O furacão norueguês
As Eliminatórias Europeias ofereciam vaga direta à Copa apenas para os primeiros colocados de cada grupo. A Itália foi sorteada no Grupo I, junto com Noruega, Israel, Estônia e Moldávia.
Sob o comando de Luciano Spalletti e, posteriormente, de Gennaro Gattuso, a Azzurra fez uma campanha razoável, vencendo seis das suas oito partidas. O problema é que a seleção esbarrou em uma Noruega impecável.
Liderados por Erling Haaland, os noruegueses fizeram uma campanha perfeita de oito vitórias em oito jogos, impondo à Itália duas duras derrotas (tanto em casa quanto fora). Com isso, a Noruega ficou com a vaga direta ao somar 24 pontos, forçando a Itália a disputar a temida repescagem.
Drama na Bósnia: a queda na repescagem
Depois de passar pela Irlanda do Norte, a Itália avançou para partida de repescagem decisiva, disputada em jogo único no dia 31 de março de 2026 na cidade de Zenica, contra a Bósnia e Herzegovina.
O jogo parecia favorável quando o atacante Moise Kean abriu o placar aos 15 minutos com um belo chute de fora da área. No entanto, o cenário desmoronou ainda no primeiro tempo: aos 41 minutos, o zagueiro italiano Alessandro Bastoni cometeu uma falta sendo o último homem e foi expulso, deixando a equipe com 10 jogadores em campo.
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Aproveitando a vantagem numérica, a Bósnia pressionou e conseguiu o empate com Haris Tabakovic. Após uma prorrogação tensa que terminou em 1 a 1, a vaga foi decidida nos pênaltis. O fantasma das penalidades pesou sobre os italianos, que desperdiçaram a primeira e a terceira cobrança. A Bósnia converteu todas as suas batidas, venceu por 4 a 1 e despachou a Itália.
O fim de uma era e a crise estrutural
A eliminação culminou na imediata demissão do técnico Gennaro Gattuso. Mas o debate no país vai muito além de quem senta no banco de reservas.
Analistas e torcedores apontam para uma crise profunda no movimento calcístico italiano. Apesar de a Serie A permanecer financeiramente e taticamente forte, existe uma dificuldade crônica em converter esse sucesso de clubes em uma identidade competitiva para a seleção.
A falta de espaço e de desenvolvimento para jovens talentos locais nas categorias de base e nos times principais tem custado caro a uma geração que conta com ótimos nomes como Donnarumma, Barella e Chiesa, mas que sofre para jogar como um conjunto sólido.
Para a Itália, o fracasso nas Eliminatórias de 2026 prova que ficar de fora do Mundial deixou de ser uma “noite ruim” para se tornar um problema crônico. A seleção terá que repensar suas bases se quiser evitar que assistir à Copa do Mundo pela TV se torne a única tradição do país em Mundiais.