Com o PSV já coroado campeão holandês da temporada 2025/26, o clima na Holanda deveria ser de festa e planejamento para o próximo ciclo. No entanto, os bastidores do Campeonato Holandês entraram em colapso devido ao chamado “Paspoortgate”.
O imbróglio jurídico envolve jogadores nascidos na Holanda que, ao se naturalizarem para defender outras seleções, perderam automaticamente a cidadania local e passaram a atuar de forma irregular, sem vistos de trabalho.
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A Armadilha da Lei Holandesa
O problema reside em uma especificidade da legislação dos Países Baixos: ao adotar uma nova nacionalidade, o cidadão holandês abdica, de forma automática, do seu passaporte original.
No futebol, isso criou um vácuo burocrático perigoso. Jogadores que optaram por representar nações como Suriname, Indonésia, Cabo Verde, Togo e Trinidad e Tobago tornaram-se estrangeiros “não-comunitários” (fora da UE e Suíça) da noite para o dia.
“Ao jogarem por esses países, eles perdem a cidadania holandesa. E quem tem passaporte de fora da União Europeia precisa de uma autorização de trabalho para exercer sua profissão na Holanda”, explicou Joost Verlaan, em entrevista dada ao portal GE.
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O Estopim: O Grito do NAC Breda
O escândalo estourou após o NAC Breda, atualmente desesperado na luta contra o rebaixamento, entrar com uma ação judicial após ser goleado por 6 a 0 pelo Go Ahead Eagles. O clube alega que o adversário escalou de forma irregular o jogador Dean James, que nasceu na Holanda, mas se naturalizou indonésio.
A tese do NAC é simples: o jogador estava inelegível, logo, o resultado deve ser contestado. A causa ganhou corpo rapidamente, e gigantes como Ajax e Feyenoord, além de clubes como Telstar, FC Volendam, Heracles e TOP Oss, já se juntaram à ação judicial.
De acordo com Michiel van Dijk, advogado da Federação, o problema possui uma dimensão sistêmica que ameaça invalidar meses de competição na Holanda. O impacto estimado envolve 13 jogadores (sendo 11 da Eredivisie) distribuídos por oito clubes da elite, colocando sob suspeita um total de 133 partidas.
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Faltando apenas três rodadas para o fim do campeonato, a crise gera uma incerteza jurídica sem precedentes que coloca em xeque a integridade e o encerramento da temporada nacional.
A presidente da Real Federação Holandesa de Futebol (KNVB), Marianne van Leeuwen, demonstrou profunda preocupação com o desfecho do torneio nos tribunais. Segundo ela, uma eventual anulação ou remarcação em massa de partidas destruiria a imagem da liga.
“As partidas deveriam ser disputadas em campo, não nos tribunais. Isso afeta mais da metade das partidas da Eredivisie e quase todos os clubes. Será um caos”, afirmou a dirigente.
Enquanto o julgamento não avança, clubes como NEC e Groningen já se anteciparam e afastaram seus jogadores naturalizados dos treinos e elencos para evitar maiores complicações jurídicas.
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